Cintia Velloso Malpelli
Mulheres Ensinadas a Serem Rivais!!!
(Compreendendo Essa Rivalidade Histórica)
Olá, caro leitor(a), como vocês estão? Quero trazer um tema que é pouco abordado hoje em dia, mas que considero como algo muito enraizado no íntimo feminino. A rivalidade entre mulheres. Há muito tempo, fomos ensinadas a sermos rivais e essa filosofia veio atrelada ao fato histórico/cultural que colocou a mulher como sendo um ser "desprovido da capacidade de discernir o bem do mal, o certo do errado" e que por isso, se um homem trai sua esposa, logo a "culpa" é da outra mulher que se envolveu com um homem casado. E veja bem, não vim aqui falar de culpa ou de certo e errado, vim aqui falar que historicamente, fomos ensinadas a acreditar que quando um lar é desfeito por conta de uma traição do companheiro, logo, o motivo pelo qual essa mulher foi traída por ele, é porque esse companheiro foi procurar fora de casa o que ele não tinha ou porque a outra mulher aceitou se relacionar sabendo que ele era casado. E sabe o que realmente me preocupa, é que as mulheres que vivenciam essa situação, na maioria das vozes, não param para analisar e perceber que foi o companheiro que as traiu, que se ele se envolveu com outra mulher, foi porque ele se deixou envolver, ninguém colocou uma arma da cabeça do sujeito e disse, você tem que ficar com essa mulher, foi uma atitude concretizada por vontade própria.
Mulheres, precisamos acordar e perceber que não somos inimigas, somos simplesmente levadas a acreditar pelo patriarcado que temos que ser inimigas e que se uma relação leva seu parceiro para a traição a culpa com certeza é da outra, quando na verdade, o que ocorreu foi ocasião, oportunidade e uma atitude oportunista do seu parceiro que não levou em consideração o combinado de relacionamento que vocês estabeleceram. Precisamos parar de atribuir a responsabilidade dessa situação a outra mulher ou até mesmo de nos culparmos por acreditarmos que de alguma forma, por excesso ou faltas para com ele, colaboramos para essa situação ocorrer.
Nós não somos rivais, fomos ensinadas a sermos rivais, precisamos aprender a responsabilizar a traição através da análise da verdade e não pela fantasia de que se a outra não existisse, isso não teria acontecido, porque se não fosse com essa outra, seria outra, a atitude de trair a sua confiança conjugal veio do parceiro, a outra mulher foi só a oportunidade que ele agarrou sem realmente respeitar o combinado da relação de vocês.
Estou batendo nessa tecla, porque ao longo dos anos, percebo o mesmo discurso e vejo como nós, mulheres, fomos ensinadas a nos odiar, a nos rivalizar e o quanto isso nos afasta até hoje umas das outras, causando disputas, discursos preconceituosos e falas que visam somente justificar a atitude do companheiro porque do contrário, você precisaria refletir com quem está se relacionando e o que aconteceu para que houvesse a traição.
Vejo muitas mulheres se culpando pela separação e pela traição de seus companheiros e esquecendo de responsabilizar quem de fato as traiu e rompeu com o acordo afetivo que o casal tinha. E para além disso, eu não quero aqui condenar quem trai, isso não é um julgamento, mas quero deixar um alerta, a traição é quase sempre um sinal de que a relação já caminhava com vocês dois olhando para lados diferentes ao invés de olharem na mesma direção ou olharem um para o outro e isso diz muito de um relacionamento que era mantido, mas que não tinha uma manutenção real das duas partes envolvidas e que por vezes, um se distanciou e o outro nem percebeu dada a correria da rotina no mundo em que vivemos.
Uma relação adoecida ou mantida porque “somos casados” ou pelos filhos, é uma relação fadada a levar alguém ou ambos, ao sofrimento. Isso quando falamos de uma traição isolada, mas quando falamos de comportamentos suspeitos, distanciamento, discursos machistas e traição recorrente, falamos de caráter, postura e sentimento de posse sem real respeito dentro dessa parceria e não de um relacionamento que somente acabou, mas de um relacionando apoiado numa estrutura machista que oprime a mulher a aceitar tudo achando que é normal.
Outro ponto, não estou dizendo que nós mulheres não traímos, tudo que atribuo ao homem, também pode ser atribuído à mulher, mas a única diferença visível e palpável que percebo é que o homem sempre vai ser acolhido, respeitado e apoiado por outro homem ou pela família na maioria das circunstâncias, mas a mulher vai ser julgada, desrespeitada, desamparada pelo homem, pela familia e principalmente pela maioria das mulheres, isso porque simplesmente fomos ensinadas a nos odiar, a sermos rivais que não merecem o direito de resposta como os homens merecem. Ahh Cintia, mas você tá colocando a guerra dos sexos em pauta,!!! Não, estou colocando o que percebo ainda hoje e vale ressaltar que não quero aqui criar um discurso de ódio aos homens, esse não é meu objetivo nestas poucas linhas, até porque temos muitos homens em nossa sociedade que compreendem o sagrado feminino, tratam suas companheiras com respeito e valorizam a mulher que divide a vida com eles. Estou aqui falando de um movimento histórico/cultural que nos rivalizou e nos afasta umas das outras até hoje e para além disso, estou falando de uma postura machista ainda existente que reforça o discurso de que somos todas, mulheres, “culpadas pela desestruturação de uma família”.
Mulheres, abram os olhos, que possamos ser mais amigas, nos apoiar, nos valorizar, aprender a nos amar e discernir dentro das situações fazendo os questionamentos corretos, antes de culpar a terceira figura envolvida na relação (a outra). A responsabilidade relacional é das pessoas envolvidas naquela relação, se entrou uma terceira pessoa que não agrega ao combinado do casal, essa pessoa não tem responsabilidade real, ela só se envolveu nessa situação, quem deveria ter barrado era o outro, o respeito acaba e o combinado se descombina quando uma das pessoas que fazem parte desse acordo rompem com o mesmo. Isso é responsabilidade relacional!!! Bora refletir mulheres lindas e nos apoiarmos ao invés de desrespeitarmos umas às outras e marcamos de quem é a real responsabilidade no caso de uma traição!!! Reflitam sobre essas poucas linhas… Um forte abraço em todas vocês mulheres!!!
Autora: Cintia Velloso Malpelli (Psicoterapeuta á 8 anos em São Bernardo do Campo-SP)
Psicóloga: CRP:06/137183
Agendamento pelo WhatsApp 55(11)99926-2926
Site: https://www.psicocintiavelloso.com.br
Instagram: @psicocintiavellosomalpelli



