Bruno Casemiro Gava
O protagonismo juvenil nas escolas e a influência do Grêmio Estudantil
O caminho dos futuros líderes começa nos grêmios estudantis
Assumi a presidência do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Professor José Jorge do Amaral em um momento em que a escola enfrentava violência, homofobia e racismo. Ficou claro que o Grêmio não poderia ser simbólico — precisava ser um instrumento real de transformação.
Essa experiência revela um problema maior. O Brasil cobra participação política dos jovens, mas falha em oferecer, dentro das escolas, espaços efetivos para que ela aconteça. O Grêmio Estudantil, garantido por lei há quase quatro décadas, ainda é tratado como algo secundário, quando deveria ser central na formação cidadã.
Mais do que representativo, o Grêmio é um espaço de influência real. Ele pauta debates, mobiliza estudantes e contribui para decisões que impactam o cotidiano escolar. É ali que se aprende que organização gera resultados e que o voto tem efeito concreto. E é ali também que surgem os líderes do futuro próximo.
Bruno Casemiro Gava na E.E Professor José Jorge do Amaral.
Atuação no Grêmio Estudantil
Sempre defendi que o Grêmio não pertence apenas à diretoria eleita, mas a toda a comunidade escolar. Essa visão permitiu mobilizar alunos e transformar participação em ação.
Um dos principais avanços foi a aprovação, em assembleia, de um mínimo de 30% de representatividade de minorias sociais na composição do Grêmio. A medida garantiu espaço para estudantes negros, pessoas com deficiência, LGBTQIA+ e jovens da periferia. Foi uma decisão democrática, debatida e votada.
Também promovemos rodas de conversa sobre discriminação, criamos um canal de denúncias anônimas e realizamos campanhas de respeito. Essas ações mostram a influência direta do Grêmio na construção de um ambiente mais justo.
Autor do Decreto para as minorias: Bruno Casemiro Gava, na Revista da Diretoria de Ensino SBC.
Considerações Finais
Apesar disso, muitas escolas ainda tratam o Grêmio como “comissão de festas”, esvaziando seu papel político. O resultado é uma juventude afastada da participação — não por desinteresse, mas por falta de espaço real.
A formação de lideranças começa cedo. Surge quando o estudante percebe que pode ser ouvido e transformar sua realidade. Ignorar isso é desperdiçar um dos principais instrumentos de formação cidadã.
Fortalecer o Grêmio exige pouco: estatuto representativo, formação e diálogo com a gestão. E, acima de tudo, reconhecer que o estudante não é plateia.
A escola que valoriza o Grêmio forma cidadãos. E cidadãos não esperam o futuro — participam desde já.
Bruno Casemiro Gava
Ex-presidente do Grêmio Estudantil e liderança jovem
Referências:
Lei nº 7.398/1985 – Dispõe sobre a organização de Grêmios Estudantis. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7398.htm
Imagem de capa - Grêmio Estudantil. Disponível em: https://www.politize.com.br/gremio-estudantil/



