Cintia Velloso Malpelli
A Tecnologia Sem Limites - Criando Pessoas Adoecidas!!!
Adoecimento Infantil!!!
Caro leitor(a), como está você? Estamos saindo da folia do Carnaval e voltando para a nossa rotina diária. Essa semana assisti a um vídeo que me causou uma reflexão profunda acerca das nossas crianças e do uso da tecnologia de forma desenfreada… No vídeo o menino estava extremamente descompensado, quebrando coisas na casa, gritando com os pais e no mesmo vídeo, o que mais me chamou a atenção foram os comentários do tipo; “o que faltava era tomar umas surra, que isso é manha, que se fosse meu filho eu já tinha descido a mão". E isso me deixou muito preocupada, porque pode não parecer, mas esse garoto do vídeo não estava somente sendo “mal educado”, ele estava claramente descompensado, quebrando os pratos com a mão, ameaçando os pais e demonstrando revolta e dificuldade de lidar com a frustração... Apesar de ser uma criança, ele estava claramente tendo um surto emocional. Dentro da profissão que exerço há 8 anos. Sempre me questionei sobre a nossa evolução social e tecnológica.
E quando me deparo com um vídeo que mostra uma criança perdendo o controle, ofendendo, gritando, ameaçando os pais e quebrando coisas por que os pais tiraram o celular dele, me pergunto, o quanto estamos viciados na tecnologia? O quanto estamos viciados em estarmos conectados o tempo todo, a ponto de não sobreviver sem o celular? Vou para além disso e olho pra essa criança e questiono... A criança é mal educada, mas quem educa? Ele chegou nesse ponto porque houve permissão de quem cuida dessa criança, foi porque ele repete comportamentos que aprendeu observando os adultos. A questão com o celular... A criança precisa ter limite de tempo de tela, mas nós adultos, não temos, como vamos cobrar isso das crianças? Precisamos nos conscientizar que a criança não nasce sabendo o que é limite, certo ou errado, ela aprende por observação e por ensinamentos.
Fico maravilhada com a brincadeira que estimula a criatividade, estar em contato com a natureza e com outras crianças e que estimulam a imaginação. Precisamos voltar a ensinar as nossas crianças a criar brinquedos próprios com material reciclável, porque a imaginação da criança precisa ser estimulada para que continuemos vivendo a evolução tecnológica, social, biológica que presenciamos ao longo dos anos anteriores.
Estimular o lado criativo, imaginativo, gera senso de adaptação na criança, ela aprende a lidar com as variáveis, a criar coisas novas a partir dessa vivência coletiva e imaginativa. O lúdico é porta para o conhecimento. A partir do brincar a criança constrói algo no mundo. Estamos carentes de novas criações, estamos começando a fazer muitos Remakes de novelas, series e filmes antigos, criando live action de desenhos e isso está ocorrendo porque até mesmo o lado criativo no que tange uma redação, um artigo ou um relatório, está sendo elaborado pela tecnologia e a nossa criatividade, onde fica? Se continuarmos o tempo todo sendo bombardeados por estímulos, nos tornaremos mais espectadores do que criadores de coisas novas. É uma realidade que já existe, é visível, é palpável e está tornando as nossas crianças e adolescentes dependentes emocionais da tecnologia.
Caro leitor(a) não sei você, mas penso que pelo menos um dia da semana seria importante se dedicar a fazer atividades cognitivas, motoras e pensantes com nossas crianças e adolescentes, longe das telas, porque estamos muito engessados na tecnologia e isso começa a mostrar sinais de dependência tecnológica que estão prejudicando as relações como no caso que relato aqui nessa nossa conversa.
Não estou aqui para julgar os pais e cuidadores, não é sobre isso, mas estou aqui para explanar alguns pontos que me fizeram refletir o quanto nos vemos reféns de likes e o quanto isso nos afasta do mundo, das pessoas reais e do nosso processo criativo que foi o grande alicerce de todas as invenções que utilizamos atualmente, como esta que utilizo para levar conhecimento, reflexão e questionamentos para que possamos continuar crescendo e evoluindo como seres humanos, pensantes e ativos no mundo que habitamos e chamamos de Terra. E você? O quanto tem se percebido preso a tela do celular, tablet e computador? Você está vivendo mais no mundo virtual ou no mundo presencial? Tudo requer equilíbrio, do contrário vira caos e adoece.
Autora: Cintia Velloso Malpelli (Psicoterapeuta á 8 anos em São Bernardo do Campo-SP)
Psicóloga: CRP:06/137183
Consultório Psicopelli
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