• São Bernardo do Campo, 15/06/2026
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    Cintia Velloso Malpelli

    Mesmo Presentes - Estamos Ausentes:

    Ausência de Vínculo!!!


    Mesmo Presentes - Estamos Ausentes:

    Olá caro leitor(a), estou refletindo esses dias sobre algo extremamente importante. Você já se perguntou o quanto estamos presentes na vida um dos outros, mas o quanto sentimos a ausência uns dos outros???

    A tecnologia nos aproximou digitalmente e por isso é possível através de um simples clique a leitura destas linhas, no entanto, a tecnologia nos afastou afetivamente pois hoje, quando as pessoas não querem mais falar umas com as outras, elas bloqueiam o contato nas plataformas de comunicação, essa questão não parece preocupante, mas é, pois os conflitos existem para serem discutidos, resolvidos ou até mesmo para o nosso próprio crescimento emocional, mas o que tem se visto hoje é a negação veemente da resolução de conflitos. Bloquear as pessoas é mais fácil do que conversar e aprender a impor limites no relacionamento. 

    Quando não tínhamos a internet, éramos obrigados  conversar por telefone ou cara a cara para resolver nossos problemas, nos magoamos, nos ofendemos e até haviam brigas que ficavam muito acaloradas, mas também, existia o olho no olho, o sentimento que podia se ver, a emoção refletida nos olhos durante a conversa. Não estou dizendo que a tecnologia ou a internet é ruim, não é sobre isso que estou abordando, mas sim, sobre o fato de que os meios de comunicação e mensagem se tornarem algo essencial, que “precisa de resposta imediata" porque do contrário, äs pessoas sentem um sentimento de abandono e rejeição e logo vem a frase: ____ Mandei mensagem para a pessoa e ela não me respondeu, será que ela está me ignorando, será que ela não gosta de mim, será que vou ficar sem resposta, se a pessoa não me responder dentro do tempo X, vou bloquear, não quero mais saber!!! Percebem? A questão não é a tecnologia ou os meios de comunicação, mas como eles nos afetam quando se espera uma resposta que não vem ou não vem no tempo desejado.

    É perceptível que as pessoas estão adoecendo emocionalmente por acreditar que tudo tem que ser e acontecer no seu tempo, sem levar em consideração, o tempo do outro, a rotina do outro e seus problemas. Veja bem, não estou falando em viver em função do outro, mas sim, de compreender que o outro também não vai viver a vida em função de você. Estamos carente de tempo para nos relacionarmos para além da tecnologia, estamos carentes de dizer não, não posso, não consigo, agora não, não quero, me manda mensagem tal dia, tal hora… Estamos carentes de limites para aprender a lidar com o limite do outro e de impor os nossos limites para que haja uma boa convivência.

    Veja bem... E conviver bem, não é agradar ao outro(a) o tempo todo, mas sim, respeitar o tempo e o espaço do outro(a), aprender a dizer não e a escutar um não, pois concordo que devemos sempre buscar o nosso sim, mas também devemos aprender a respeitar o não que se fizer presente nos nossos relacionamentos, no nosso ambiente de trabalho, no ambiente familiar e no ambiente externo (ruas, locais de lazer e compras). Se eu posso dizer algo a respeito da tecnologia… Utilizem a tecnologia, entendendo que do outro lado da tela tem uma pessoa como você que tem rotina, problemas, seu tempo interno e que vai conversar com você quando for possível e tudo bem, que isso não tem haver com você.

    Hoje, as mensagens são instantâneas, se você pesquisar, vai saber que na década de 90, mandamos uma carta com selo, pelo correio que demorava em média 15 dias para ser entregue, imagine que você demorava em média, quase 30 dias para receber a resposta desta carta e o sentimento quando a carta chegava, não era de rejeição ou nem tão pouco a pessoa se sentia diminuída, mas sim, grata e feliz que sua espera trouxe resposta, confesso que às vezes, a resposta não era boa ou a esperada, mas por conta da espera, sabíamos lidar com o conteúdo da carta, pois a paciência era trabalhada com essa espera. Continue se comunicando, continue utilizando a tecnologia para se aproximar das pessoas, porque se continuarmos bloqueando uns aos outros, logo seremos ausentes estando presentes na vida uns dos outros. Me despeço com essa reflexão!!! Forte Abraço!!!

    Autora: Cintia Velloso Malpelli (Psicoterapeuta á 8 anos em São Bernardo do Campo-SP)

    Psicóloga: CRP:06/137183





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